Derrota na supercopa expõe carências do elenco e transforma reforço milionário em peça fundamental para o esquema de filipe luís na sequência da temporada
O desembarque de Lucas Paquetá no Rio de Janeiro, marcado por esforços pessoais e financeiros do atleta, carregava a narrativa de um jogador que buscava refúgio em casa. No entanto, o revés na decisão da Supercopa contra o Corinthians alterou a percepção sobre a dinâmica dessa contratação: as carências apresentadas pelo time indicam que o clube necessita da contribuição técnica do camisa 20 de forma muito mais imediata do que o inverso. A análise do cenário atual foi repercutida pelo jornal O Globo.
A urgência em utilizar o reforço se justifica pelo desempenho abaixo do esperado do elenco principal nas últimas três partidas. A versatilidade do meia surge como um trunfo para o técnico Filipe Luís, que pode escalar o atleta em diferentes setores. As opções variam desde a função de falso nove, onde estreou contra o Corinthians, até as pontas ou a criação de jogadas, suprindo a falta de ritmo de nomes como Jorginho e Arrascaeta.
O jogador já conversou com a comissão técnica e se colocou à disposição para atuar onde for necessário, embora admita que seu condicionamento físico ainda requer atenção após um período afastado.
“Estou melhor, tive dores nas costas fortes e preferi zerar. Também tinha a negociação, nos últimos dias fiquei fora por conta disso. Mas fiquei muito tempo sem treinar, sem jogar, e espero reencontrar meu preparo físico para poder ajudar.”
Esforço para a estreia e bastidores da volta
Para garantir presença na delegação que viajou a Brasília, Paquetá realizou movimentos nos bastidores que demonstraram seu comprometimento. O atleta custeou um voo fretado e abriu mão de salários no West Ham, antigo clube, visando participar da decisão. Mesmo com a oportunidade de gol perdida no fim do jogo, ele mantém a confiança no que pode entregar ao longo do contrato, válido até 2030.
“Foi tudo muito corrido, só dois dias de treino. Paguei avião, abri mão do meu salário no West Ham para estar nesse jogo (Supercopa), fiz muitas coisas que as pessoas não sabem. Infelizmente não foi da maneira esperada, mas minha experiência lá fora me torna mais forte nesse sentido. Sei do meu potencial e o que posso entregar ao Flamengo.”
A derrota para o Corinthians teve pouco impacto estrutural no planejamento interno, com o foco voltado para a recuperação no Campeonato Brasileiro após o tropeço na estreia diante do São Paulo. A expectativa é que Filipe Luís mantenha a força máxima para dar rodagem aos titulares, o que deve garantir mais minutos a Paquetá em seu reencontro com o Maracanã.
“Gosto de estar no campo ajudando. Faço mais de uma função e isso me torna privilegiado para estar em campo. Conversei com o Filipe que estou à disposição pra ajudar. Fica a critério dele onde me utilizar. Estou exatamente onde queria estar.”
Recusa à europa e questões extracampo
A decisão de retornar ao Brasil envolveu declinar de propostas financeiramente mais vantajosas, incluindo uma oferta do Chelsea para disputar a Liga dos Campeões. O peso das investigações sobre um suposto esquema de apostas na Inglaterra influenciou a escolha pelo ambiente acolhedor do Flamengo.
“Tive possibilidade de voltar ao Flamengo, mas quis permanecer, resolver, e isso foi feito. Eu pude voltar a jogar futebol sem ter esse peso. E achei que pudesse continuar dali pra frente. Mas percebi que algumas coisas ainda me incomodavam, que eu enfrentava ainda algumas situações que eu achava que não precisava mais enfrentar.”
Durante a apresentação oficial, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, utilizou os valores da transação para contextualizar uma campanha contra a cobrança de impostos em clubes que investem em esportes olímpicos. O meia custou R$ 260 milhões aos cofres rubro-negros.
“Se ficar do jeito que está, em sete ou oito anos o Flamengo vai pagar 2,8 Lucas Paquetás de impostos. Quem vai deixar de investir no futebol para pagar impostos nessa magnitude podendo não ter compromisso com formação, educação?”