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Interferência externa em Flamengo x Corinthians pode anular jogo? Entenda cenário

CBF sustenta legalidade em atuação de observador na cabine de vídeo e jurista aponta ausência de provas para impugnação do resultado da partida

A discussão sobre uma possível anulação da partida entre Flamengo e Corinthians, válida pela Supercopa Rei, perdeu força após esclarecimentos técnicos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e análises jurídicas sobre o protocolo de arbitragem. O debate central girou em torno da presença de Péricles Bassols, observador do VAR, na cabine de vídeo durante a revisão que resultou na expulsão do jogador Jorge Carrascal.

As especulações sobre uma interferência externa indevida surgiram após questionamentos feitos pelo comentarista de arbitragem Paulo Caravina. O foco das críticas foi a participação ativa de Bassols no ambiente de revisão. Contudo, a entidade máxima do futebol brasileiro refutou irregularidades, garantindo que os procedimentos seguiram as normas estabelecidas.

Análise jurídica e técnica do protocolo

Para que houvesse base legal visando a anulação do confronto, seria necessário comprovar uma intervenção direta de pessoa não autorizada na decisão do árbitro. O advogado Luiz Marcondes, presidente honorário do Instituto Iberoamericano de Derecho Deportivo, esclareceu ao Terra que o cumprimento técnico do protocolo foi observado, conforme o Livro de Regras do Jogo.

A distinção fundamental reside em quem inicia o processo de revisão e quem toma a decisão final. O especialista destaca a importância de verificar a origem da chamada para o vídeo.

"É preciso identificar se esta pessoa alheia ao VAR inicia, por conta própria, o processo de revisão. Se isso aconteceu, está fora da expressão da norma do jogo. Nesse caso, é importante frisar que a decisão final é do árbitro"

Marcondes ressalta ainda que a legislação esportiva permite que o VAR alerte a arbitragem de campo sobre incidentes graves não percebidos inicialmente, como foi o caso da agressão cometida pelo atleta rubro-negro.

"Não tenho dúvida de que o preceito jurídico, que a norma específica que levou o árbitro a fazer o que foi feito, dá a condição de revisão e aplicação do cartão vermelho"

Dinâmica da expulsão e áudio do var

O lance polêmico envolveu um soco de Carrascal em Breno Bidon no final do primeiro tempo, despercebido pelo árbitro Rafael Klein em tempo real. A revisão ocorreu durante o intervalo, procedimento validado pela regra para casos de conduta violenta.

A CBF divulgou o áudio da cabine, onde é possível ouvir Péricles Bassols justificando a legalidade do momento da checagem. O observador reforçou que a conduta violenta é passível de revisão a qualquer momento. O árbitro de vídeo, Rodolpho Toski Marques, conduziu a apresentação das imagens a Klein.

"Eu vou te mostrar o ponto de contato, Klein, e depois em velocidade em 30%, você vai ver a mão fechada, fora da disputa de bola, uma conduta violenta atingindo o queixo do adversário"

Ao visualizar o monitor, o juiz de campo concordou com a interpretação factual e aplicou o cartão vermelho, confirmando que a decisão final partiu de sua análise das imagens.

Contexto da partida e falha de energia

Além da polêmica disciplinar, o jogo enfrentou problemas técnicos no segundo tempo. Uma queda de energia afetou a cabine do VAR, que operou via sistema de emergência por cerca de 15 minutos antes de ficar inoperante entre os 15 e 34 minutos da etapa final.

Dentro de campo, o Corinthians venceu por 2 a 0, com gols de Gabriel Paulista e Yuri Alberto. O time paulista chegou a marcar outro gol com Memphis Depay pouco antes da falha no sistema de vídeo, mas o lance foi invalidado por impedimento.