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Garrinsha no Carioca: Atacante haitiano do Bangu, sobrevivente de terremoto e fã de drible, vai enfrentar o Flamengo

Garrinsha Estinphile: Do Haiti para o Coração do Futebol Carioca

Um novo nome promete agitar o Campeonato Carioca: Garrinsha Estinphile. O jovem atacante haitiano, de 24 anos, é uma das principais contratações do Bangu e está pronto para sua estreia na competição, que já será um grande desafio contra o Flamengo, nesta quarta-feira, às 21h30, no Estádio Moça Bonita.

Com um estilo de jogo focado na velocidade e no drible, Garrinsha não apenas carrega o nome de uma das maiores lendas do futebol brasileiro, mas também uma história de resiliência e paixão pelo esporte. Ele chega ao Rio de Janeiro com a missão de brilhar e mostrar seu talento.

A jornada de Garrinsha é marcada por superações, desde os campos de Cabaret, no Haiti, até o sonho de jogar no Brasil. Sua história, que mistura admiração pelo futebol e a luta pela vida, promete inspirar, conforme informação divulgada pelo g1.

A Origem do Nome e o Estilo de Jogo de Garrinsha

O nome Garrinsha não é uma coincidência. Seu pai, Joseph Garry, ex-jogador profissional e grande admirador do futebol brasileiro, fez questão de homenagear o lendário Garrincha, ídolo do Botafogo e bicampeão mundial com a Seleção Brasileira, ao nomear seu primeiro filho. A pequena diferença na grafia, com ‘s’ em vez de ‘c’, deve-se à fonética do crioulo haitiano, onde os sons são parecidos.

O atacante haitiano não esconde a admiração pelo Mané. “O Garrincha foi um grande jogador, com muita habilidade. Já vi muitos vídeos dele. E uma das minhas características no futebol é drible, velocidade. Sei que ele foi um jogador assim. Meu pai me deu esse nome por causa da história dele, na seleção brasileira”, revelou Garrinsha, que se destaca pela sua velocidade e dribles pelas pontas, características que remetem ao craque brasileiro.

A Luta Pela Vida: Garrinsha e o Terremoto no Haiti

A vida de Garrinsha é um testemunho de resiliência. Ele e seus pais são sobreviventes do devastador terremoto que atingiu o Haiti em 2010, uma das maiores catástrofes humanitárias da história, que causou a morte de mais de 3 mil pessoas. Aos oito anos, Garrinsha estava jogando bola com seu primo quando a terra tremeu.

A cena mais marcante para ele foi ver uma parede cair sobre seu primo, que felizmente sobreviveu. “A cena que mais me marcou foi do meu primo, eu vi a parede caindo em cima dele, mas depois a gente conseguiu tirá-lo de lá. Graças a Deus ele não morreu”, contou. Mesmo sem ter sido ferido fisicamente, o jovem atacante presenciou a perda de amigos e familiares, uma experiência que o marcou profundamente.

Do Haiti ao Brasil: A Jornada de Um Sonho no Futebol

O sonho de viver do futebol começou na escolinha fundada por seu pai em Cabaret. Após o terremoto, a chegada do projeto Pérolas Negras reacendeu a esperança de Garrinsha de construir uma carreira no esporte. Ele foi aprovado em uma peneira em 2016, mas a mudança para o Brasil só aconteceu em 2019, depois que ele concluiu o ensino médio.

Morando no Brasil há sete anos, o atacante fala português fluentemente e já domina as gírias locais, mostrando sua completa adaptação ao país que o acolheu. Sua trajetória é um exemplo de dedicação e foco, superando adversidades para seguir sua paixão.

Família Refugiada e o Sonho de Reunião

A família de Garrinsha também enfrentou momentos difíceis. Em 2021, com a eclosão da guerra civil no Haiti após o assassinato do presidente Jovenel Moïse, seus pais e sua irmã caçula buscaram refúgio nos Estados Unidos. Eles atualmente residem em Durham, na Carolina do Norte, e aguardam a emissão do visto de trabalho para poderem se reunir com o atacante no Brasil.

“Se Deus quiser, em breve eles vão estar aqui comigo”, expressou Garrinsha, com a esperança de ter sua família por perto para celebrar suas conquistas no futebol. A história de Garrinsha Estinphile é mais do que a de um jogador, é um conto de perseverança, talento e a busca por um futuro melhor, tanto para si quanto para sua família.