Mandatário rubro-negro articula em Brasília mudanças na reforma tributária e alerta para risco de extinção dos investimentos em esportes olímpicos devido à disparidade de impostos.
O Flamengo iniciou uma movimentação política direta visando as próximas eleições e o debate sobre a carga tributária no futebol brasileiro. Liderado pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, o clube contesta as disparidades fiscais trazidas pela Reforma Tributária e pela PL Anti-Facção, apontando prejuízos severos para as agremiações associativas em comparação com as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).
A principal queixa recai sobre a alíquota de impostos. Enquanto as SAFs são tributadas em 6%, os clubes que mantêm o modelo associativo sem fins lucrativos enfrentam uma carga de 11%. Segundo a diretoria rubro-negra, essa diferença ignora o papel social das associações, responsáveis pela formação de atletas e investimentos em modalidades olímpicas.
O impacto financeiro já gerou reflexos práticos na gestão esportiva do clube. Cortes de custos resultaram na não renovação de contratos de atletas de elite, como Isaquias Queiroz, da canoagem, e Rafaela Silva, do judô, além da extinção da equipe de remo paralímpico.
Bap argumentou que o cenário atual desestimula a manutenção de estruturas voltadas ao desenvolvimento social e esportivo. “Uma SAF vai pagar 6% de imposto e um clube socioesportivo, sem fins lucrativos, vai pagar 11%. Qual é a vantagem de ser um clube socioesportivo? Então, a melhor decisão é a seguinte: vira todo mundo SAF, não bota um centavo em esporte olímpico, não subsidia absolutamente nada, não trabalha com formação.”
Articulação política e campanha eleitoral
Para tentar reverter o quadro, o presidente do Flamengo esteve em Brasília, onde se reuniu com o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, e outros senadores. A pauta do encontro foi a apresentação de propostas que equilibrem a balança tributária.
Além das reuniões de bastidores, o clube lançou a campanha “Amigo do Esporte”. O objetivo é influenciar o voto dos torcedores nas eleições de outubro, que definirão cargos executivos e legislativos em todo o país. O dirigente rubro-negro conclamou os eleitores a escolherem representantes alinhados com a causa esportiva.
Em entrevista à Flamengo TV, o mandatário reforçou a importância do pleito para o futuro do setor. “Nós vamos ter os candidatos que apoiam os esportes e são amigos do esporte. Candidato amigo do esporte vai fazer o esporte cada vez mais forte no Brasil.”
Desafios financeiros da formação
O argumento central do Flamengo envolve os custos de longo prazo na formação de jovens atletas, um processo que dura entre 10 e 12 anos e inclui educação, saúde e alimentação. O clube afirma que, sem os incentivos fiscais que foram retirados, a conta não fecha.
Os números apresentados indicam um investimento adicional de R$ 46 milhões por parte da agremiação, mesmo considerando o recebimento de R$ 24 milhões em incentivos. Bap projeta que, caso a situação persista, o clube poderá enfrentar uma carga tributária anual entre R$ 200 milhões e R$ 230 milhões nos próximos anos.
O dirigente finalizou a explicação apontando a lógica puramente matemática que o sistema atual impõe aos gestores. “Se você retira os estímulos e não tem obrigação, como é o caso das SAFs, matematicamente qual é a melhor alternativa? Vira SAF, paga 6% de imposto e ‘se livra’, vamos dizer assim, de ter que cuidar, no nosso caso, de mais de 10.100 garotos durante 10, 12 anos da vida deles.”