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Flamengo e Palmeiras: A Saga dos 6.500 km em Ônibus Rumo à Glória da Libertadores

A incrível viagem de ônibus de torcedores do Flamengo e Palmeiras para a final da Libertadores: 6 dias, 6.500 km e muita emoção.

A frase “a felicidade está na jornada e não no destino” ganhou um novo significado para mais de 40 torcedores de Flamengo e Palmeiras. Durante seis dias, eles compartilharam o mesmo ônibus na que é considerada a maior viagem de ônibus do mundo, percorrendo 6.500 km e 144 horas que separaram o Rio de Janeiro de Lima, no Peru, palco da grande final da Libertadores.

Essa epopeia, que atravessou seis estados brasileiros, dois fusos horários e biomas diversos como Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Amazônia, foi acompanhada de perto pela reportagem do UOL. A aventura continuou no Peru, com a travessia dos Andes a 4.725 metros de altitude, uma inesperada nevasca e a passagem pelas icônicas Linhas de Nazca e o deserto de Huacachina, tudo isso com a esperança de garantir um ingresso para a partida.

Conforme divulgado pelo UOL, a iniciativa surgiu de um desejo antigo do repórter em cobrir essa rota, que é mais extensa que uma viagem hipotética de Lisboa a Bagdá. A oportunidade surgiu com a abertura de um carro extra pela empresa Trans Acreana, responsável pela linha.

O Início da Jornada: De São Paulo a Campo Grande

A viagem começou em São Paulo, na Rodoviária do Tietê, onde embarcaram torcedores de ambos os times, somando-se aos que já haviam partido do Rio de Janeiro. Dez palmeirenses e oito flamenguistas se juntaram a duas venezuelanas que retornavam para Lima. “A viagem está animada”, comentou Lelimar Villarroel, de 18 anos, uma das passageiras que viajava a turismo.

O ônibus double deck proporcionou conforto, com poltronas leito, ar-condicionado e internet via satélite. No andar de baixo, as discussões sobre futebol e curiosidades sobre os clubes animavam os passageiros, enquanto no andar de cima, jogos de cartas valiam o almoço do dia seguinte. A linha Trans Acreana, geralmente utilizada por mochileiros e turistas, se tornou um palco para a paixão rubro-negra e alviverde.

Atravessando o Brasil: Do Pantanal à Amazônia

O segundo dia da viagem levou o grupo por Presidente Epitácio (SP), Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT). Em Campo Grande, a parada para banho e almoço em uma churrascaria foi um dos pontos altos. A camaradagem a bordo era evidente, com toalhas estampadas com os escudos dos clubes decorando o interior do ônibus.

Muitos torcedores ainda buscavam ingressos e hospedagem em Lima, aproveitando o tempo livre para tentar resolver as pendências. As discussões sobre futebol eram constantes, com provocações amigáveis entre as torcidas. Para apimentar a disputa, um “quiz da paz” foi organizado, com os palmeirenses saindo vitoriosos por uma pequena margem.

Rumo ao Peru: Desafios da Estrada e da Altitude

O quarto dia foi marcado pela chegada a Porto Velho (RO) e, posteriormente, a Rio Branco (AC), com a travessia da fronteira para o Peru, em Iñapari. A viagem foi dificultada pelas péssimas condições da estrada e uma tempestade, gerando um odor desagradável no ônibus. Thuane Farias, 30, e Açucena Souza, 30, flamenguistas que viajavam, demonstraram resiliência diante das adversidades.

A chegada ao Peru trouxe novos desafios, como a subida da Cordilheira dos Andes. A 4.750 metros de altitude, a empolgação dos torcedores em tirar fotos na neve contrastava com os sintomas do mal de altitude. A falta de água potável e a insalubridade do ônibus se tornaram problemas sérios na descida, mas a união e o bom humor prevaleceram.

Chegada em Lima: O Fim da Jornada e o Início da Festa

O último dia da viagem de ônibus levou o grupo a Nazca e, finalmente, a Lima. A expectativa era palpável, apesar da falta de banho para a maioria. A parada em um posto de combustível com estrutura precária para banho e almoço foi um teste de resistência, mas a proximidade do destino final motivava a todos.

Após mais de 144 horas e 6.500 km percorridos, o ônibus chegou ao Terminal Rodoviário de Lima. Estranhos se tornaram amigos, e rivais, irmãos. O repórter, que também não tinha ingresso, conseguiu comprar um durante a viagem. A experiência, apesar dos perrengues, foi descrita como inesquecível, com a certeza de que faria tudo novamente.