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Flamengo e a Base: Por Que a Menor Sequência de Joias do Ninho desde 2019 Coincide com Ano de Títulos Históricos e Gera Debate sobre Pressão e Futuro?

O ano de 2025 foi um marco para o Flamengo, superando 2019 em número de títulos, com as conquistas da Supercopa, Carioca, Brasileirão e Libertadores. Esta temporada histórica coloca o clube ao lado de 1981, mas com uma diferença crucial: enquanto a geração de Zico era rica em pratas da casa, a equipe atual buscou seus grandes nomes no mercado.

Essa disparidade levanta um questionamento importante sobre o aproveitamento da base rubro-negra. Em meio a um elenco estrelado e robusto, o espaço para os jovens jogadores do Ninho do Urubu no time principal tem se tornado cada vez menor, resultando em uma preocupante tendência.

Conforme informações divulgadas pelo podcast “No Princípio Era a Bola” do jornal Tribuna Expresso, e detalhadas em reportagem, o Flamengo encerra 2025 com a menor sequência de utilização de jogadores da base no profissional desde 2019, ano em que o clube intensificou seus investimentos em reforços.

A Pressão Externa e o Desafio da Transição

O diretor de futebol do Flamengo, José Boto, abordou a dificuldade de aproveitar a base, comparando a situação do clube com a do Palmeiras. Ele destacou que a pressão sobre os jovens no Flamengo é substancialmente maior, dificultando sua afirmação no time principal.

“Nisso o Palmeiras está mais à frente. Não em termos de melhores jogadores na formação, é na transição que faz para o nível profissional. Nós vamos tentar caminhar nesse sentido”, declarou Boto ao podcast. Ele também ressaltou a intensidade da pressão social, citando casos em que torcedores “vão à rede social do miúdo, da mãe, darem cabo dele, dizerem que fez de propósito. Coisas completamente loucas que não estamos habituados na Europa”, evidenciando um ambiente desafiador para os jovens.

Essa pressão, aliada a um elenco recheado de estrelas, contribui para que as joias do Ninho do Urubu encontrem poucas brechas para se firmar. O clube termina 2025 com números que refletem essa realidade, a menor sequência de aproveitamento da base no profissional desde 2019.

Números Preocupantes: Menos Espaço para a Base

Embora 35 jovens da base tenham entrado em campo pelo profissional em 2025, um exame mais detalhado revela uma realidade diferente. Vinte dessas aparições ocorreram em jogos do Campeonato Carioca e na última rodada do Campeonato Brasileiro, onde o grupo principal e o técnico Filipe Luís não participaram, com o título já garantido.

Dos 15 restantes, apenas quatro atletas disputaram mais de 10 jogos sob o comando de Filipe Luís ao longo da temporada. São eles: Wesley, que fez 29 partidas até ser vendido para a Roma; Evertton Araújo, com 31 jogos e 21 como titular; Wallace Yan, com 29 entradas em campo; e Matheus Gonçalves, que atuou em 16 confrontos antes de ser negociado com o Al-Ahli.

Em contraste, nos anos anteriores, o Flamengo costumava ter ao menos seis crias do Ninho ultrapassando a marca dos 10 jogos no profissional por temporada. Em 2019, foram sete jogadores, e em 2020, esse número chegou a oito, incluindo nomes como Hugo Souza, Lincoln e João Gomes, que tiveram mais oportunidades.

Planos para o Futuro: Uma Reestruturação Necessária

Diante desse cenário, o presidente do Flamengo, Bap, admitiu sua insatisfação com o desempenho da formação rubro-negra durante o balanço do primeiro ano de sua gestão. Ele anunciou uma reformulação em andamento, visando suprir futuras carências do time profissional.

“A base do Flamengo vai passar por um período de seca. Esse ano não foi brilhante, não esperamos um ano brilhante em 2026, mas em 2027 a gente vem voando baixo”, afirmou o presidente. Ele detalhou que o clube está apostando em jovens talentos de 15 e 16 anos, com uma redução no número total de atletas na base, de 404 para 260.

A estratégia inclui a contratação pontual de jovens promessas, com investimentos de R$ 1 a R$ 2 milhões por jogador. “A ideia é comprar oito ou 10 garotos desses para posições que a gente precisa no time profissional e tem carência no mercado. Se um deles estourar, pagou por todos os outros”, explicou Bap, indicando um foco na busca por joias do Ninho do Urubu com potencial de se destacar.

Para o início de 2026, o Flamengo voltará a utilizar os garotos da base nos primeiros jogos do Campeonato Carioca, que começa no dia 14, enquanto o grupo principal se prepara para a pré-temporada. Este será um novo teste para a política de aproveitamento dos jovens talentos.