Busca por reforço ofensivo enfrenta limitações orçamentárias após chegada de Lucas Paquetá e exigências táticas específicas da comissão técnica
A procura do Flamengo por um novo centroavante esbarra atualmente em dois obstáculos centrais: a capacidade de investimento reduzida e a necessidade de um perfil atlético específico. Após o desembolso de 42 milhões de euros (aproximadamente R$ 260 milhões) na contratação de Lucas Paquetá, o clube carioca viu sua margem para grandes negociações diminuir nesta janela de transferências, limitando operações acima da faixa de 10 a 12 milhões de euros.
A diretoria rubro-negra prioriza agora modelos de negócio baseados em empréstimo com opção ou obrigação de compra. O objetivo é trazer um atleta pronto, descartando apostas, que possa entregar resultados imediatos. Existe, no entanto, a admissão interna de que a busca pode não ser concretizada neste período de mercado, conforme apurado pelo ge.
Perfil tático e negociações travadas
As exigências da comissão técnica liderada por Filipe Luís refinam ainda mais o escopo da pesquisa. O treinador deseja um atacante com mobilidade superior à de Pedro, capaz de realizar movimentos de infiltração (o “facão”) e com fôlego suficiente para pressionar a saída de bola adversária. Embora não seja tratada como uma urgência absoluta, essa característica é vista como uma possibilidade importante para o elenco, que aposta na evolução física e técnica do grupo atual para o encaixe do time.
O nome que melhor sintetizava essas demandas era o de Kaio Jorge. O Flamengo chegou a oferecer 30 milhões de euros, esticando suas possibilidades financeiras ao limite, e contava com o desejo do atleta. O Cruzeiro, contudo, adotou postura rígida, recusou a investida e utilizou o interesse para valorizar o jogador e mantê-lo em Belo Horizonte.
Outros nomes no radar e barreiras do mercado
Diversas alternativas foram avaliadas e descartadas por motivos distintos. Marcos Leonardo, atualmente no Al-Hilal, foi desconsiderado devido aos altos valores envolvidos e por apresentar características consideradas muito similares às de Pedro. Sondagens no mercado europeu também encontraram dificuldades. O clube fez contato com o Bournemouth por Evanilson, mas a equipe inglesa descartou qualquer chance de negociação, impedindo até mesmo a formalização de uma proposta.
Jogadores de renome internacional como Darwin Núñez e Richarlison estiveram em pauta. No caso do uruguaio, os salários foram considerados fora da realidade financeira do futebol brasileiro. Já em relação a Richarlison, o atleta não demonstrou interesse em retornar ao Brasil no início de 2025. A diretoria monitora a situação para a janela do meio do ano, quando a proximidade da Copa do Mundo pode influenciar a decisão de atletas que atuam na Europa.
Movimentações nas pontas e cenário atual
Além da busca por uma referência, o Flamengo tentou reforçar as pontas visando um jogador decisivo, antecipando possíveis saídas como as de Michael, Wallace Yan e Everton Cebolinha. O colombiano Jhon Arias foi um alvo antigo. Em janeiro, o clube ofereceu 22 milhões de euros (R$ 136 milhões) ao Wolverhampton, mas o atacante recusou a transferência para o rival do Fluminense e está próximo de um acerto com o Palmeiras.
Enquanto o mercado segue travado, Filipe Luís conta com Pedro e Bruno Henrique como referências. O camisa 9 trabalha para recuperar ritmo de jogo e superar questões físicas da última temporada. Bruno Henrique, embora tenha admitido publicamente desconforto na função de centroavante, colocou-se à disposição da equipe. O Flamengo volta a campo neste sábado, às 21h, contra o Sampaio Corrêa, no Maracanã, pelo Campeonato Carioca.