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Do 6 a 0 ao novo tetra da Libertadores: São Paulo vive o mundo que merece e percebe que a maior vergonha é a próxima

Em 2025, o futebol brasileiro viu outro clube alcançar a marca inédita de tetracampeão da CONMEBOL Libertadores. No entanto, o palco da superfinal em Lima não contou com a presença do São Paulo, um cenário que, para quem acompanhou o esporte nas últimas duas décadas, não seria surpresa, mas sim a confirmação de uma realidade dura.

Há exatos 20 anos, o São Paulo era a referência na América do Sul. Um clube com organização impecável, estrutura de ponta e gestão rigorosa, aliado a um time talentoso e aguerrido, ingredientes que o levaram ao topo do continente. Essa era dourada é retratada no documentário “Doutrinadores”, disponível no Disney+.

O primeiro brasileiro tricampeão da América parecia imbatível, conquistando o mundo meses depois ao vencer um Liverpool invicto e empilhando três Campeonatos Brasileiros. Surgia a pergunta: o Brasil teria seu próprio Bayern de Munique?

A resposta veio com a ascensão de Palmeiras e Flamengo, inspirados em Real Madrid e Barcelona. Se na época em que o São Paulo já era tricampeão eles possuíam uma Libertadores cada, hoje disputam o tetra. E o antigo dono da América? Vê seus rivais lutarem pelo título que um dia foi seu, enquanto coleciona vexames, como o recente 6 a 0 sofrido para o Fluminense.

O torcedor são-paulino se desespera ao ver seu clube ser humilhado, enquanto outros gigantes brigam pela glória continental. Foi o São Paulo, nos tempos de Telê Santana, que redefiniu o conceito de Libertadores no Brasil e teve a chance de ser tetra.

Essa constatação é a raiz do problema. Os verbos no passado – “foi”, “era”, “ganhou”, “teve” – refletem a realidade atual do clube.

A instituição e seus dirigentes se esforçaram para chegar ao patamar atual, com ações que, à época, pareciam banais, mas que o tempo expôs como erros graves. A soberba de um clube que se considerava indestrutível, o terceiro mandato de Juvenal Juvêncio que desrespeitou o estatuto, a briga pública com CBF e Fifa que tirou o Morumbis da Copa de 2014, as polêmicas de Carlos Miguel Aidar, os reveses nos bastidores, a perda de relevância dentro e fora de campo.

O alto investimento em um camisa 10 que nunca entregou o esperado, o dinheiro ainda pago a ele, a destruição de ídolos que acreditaram em promessas vazias e o esvaziamento de uma paixão que lotava estádios mesmo em momentos ruins, tudo isso contribuiu para a derrocada.

O transfer ban, os inúmeros empréstimos, as dezenas de lesões e o esgotamento de uma gestão que ainda tem um ano de mandato, nada disso é por acaso. Como bem disse Luiz Gustavo ao sair indignado do Maracanã, a única referência do São Paulo no futebol brasileiro é de “o que não fazer”.

O ano de 2025 para o Tricolor é o ápice de uma gestão desastrosa. Um clube deixado à deriva, propositalmente afastado de sua torcida em momentos de protesto, e que raramente se manifesta quando deveria. As palavras de Luiz Gustavo, vindas de quem vive o clube por dentro, revelam o estrago causado.

Vinte anos após tocar o topo do mundo pela última vez, a realidade é cruel, mas verdadeira. O São Paulo se encontra em um momento delicado, com um futuro incerto e um passado glorioso que contrasta fortemente com o presente sombrio.

Questionamentos surgem: “Tenho Libertadores?” Todos os 12 grandes clubes têm. “Não alugo estádio?” A Vila Belmiro, que se tornou refúgio de vaias e ofensas, desmente essa afirmação. “Sou hexa brasileiro?” Há quem tenha o dobro. “Nunca fui rebaixado?” Talvez em breve. A maior vergonha, para o São Paulo, é sempre a próxima.