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De Jogador a ‘Profe’ Viciado em Trabalho: Como Filipe Luís Guiou o Flamengo à Final da Libertadores com Estudo e Conversas Difíceis

Filipe Luís, o ‘Profe’ do Flamengo, Conquista a América com Estudo, Vício em Trabalho e Conversas Cruciais

A transição de Filipe Luís de ídolo rubro-negro para técnico tem sido marcada por um mergulho profundo no universo tático e uma dedicação que beira o vício em trabalho. Pouco mais de um ano após pendurar as chuteiras, o ex-lateral-esquerdo se vê diante do maior desafio de sua jovem carreira: liderar o Flamengo à conquista da Libertadores contra o Palmeiras, em uma revanche da dolorosa final de 2021.

A jornada de Filipe Luís rumo ao banco de reservas tem sido construída com base em um aprendizado contínuo, inspirações em grandes nomes do futebol e uma capacidade ímpar de lidar com situações delicadas. A reportagem do ge ouviu jogadores e funcionários que acompanham de perto o trabalho do comandante, revelando os bastidores de uma ascensão meteórica.

Desde os tempos de jogador, Filipe Luís já demonstrava um interesse incomum pelos bastidores. Anotar os treinos de Jorge Jesus e conversar frequentemente sobre tática com Diego Simeone em seus tempos de Atlético de Madrid são apenas alguns exemplos de sua sede por conhecimento tático. Essa preparação se intensificou ao assumir o comando técnico.

Um Técnico Estudioso e Viciado em Trabalho

O adjetivo “estudioso” é unânime entre aqueles que convivem com Filipe Luís. Ele é o primeiro a chegar e o último a sair do centro de treinamento, dedicando horas a pesquisas e análises. A mentalidade de que “o próximo jogo é o mais importante” guia suas ações, refletindo um comprometimento total com a equipe.

Ao seu lado, o auxiliar espanhol Ivan Palanco, braço direito do treinador, compartilha dessa intensidade. A dupla é descrita como “louca pelo trabalho”, e essa dedicação integral, embora fundamental para o sucesso, pode pesar para alguns, admitindo que a pressão por um desempenho constante é alta.

As noites mal dormidas pensando em planos de jogo e a observação de partidas de futebol até nos momentos de lazer com a esposa evidenciam o quão imerso Filipe Luís está em sua nova função. O ex-lateral busca inspirações em diversos lugares, sempre com o objetivo de aprimorar o desempenho do Flamengo.

Conversas Difíceis e a Busca por Equilíbrio

Filipe Luís se tornou conhecido por ser mais reservado em suas opiniões táticas com pessoas fora do círculo íntimo do futebol, mas não hesita em expor suas análises nas coletivas. Essa postura visa proteger suas ideias de rivais e evitar desvios de foco, mantendo a concentração total no trabalho. A escolha de não conceder entrevistas exclusivas reforça essa estratégia.

Algumas críticas apontam Filipe Luís como “cabeça dura”, relutante em abrir mão de suas convicções. Essa percepção se deve, em parte, ao seu meticuloso preparo e à estratégia de montar o plano de jogo com base em análises aprofundadas dos adversários. Quando as coisas não saem como o planejado, ele tende a focar em ajustes táticos, em vez de mudanças imediatas de jogadores, demonstrando uma abordagem ponderada e “não toma atitudes na emoção”, segundo pessoas próximas.

A exigência de comprometimento e cumprimento de funções por parte dos atletas gerou momentos de insatisfação ao longo do ano, com escolhas que desagradaram alguns jogadores. Um episódio marcante foi a crítica pública a Pedro, em julho, que, apesar de ter gerado desconforto interno, parece ter impulsionado o desempenho do atacante.

Amadurecimento e Influência nas Decisões

A transição de companheiro para chefe exigiu conversas francas e decisões difíceis, como as que teve com nomes como Arrascaeta e Bruno Henrique. Filipe Luís buscou mentoria, inclusive com René Simões, para gerenciar essa mudança de relacionamento com ex-colegas de time.

No segundo semestre, percebeu-se um amadurecimento no perfil do treinador. Filipe Luís passou a adotar um tratamento mais flexível com alguns atletas, investindo mais tempo em interações com o grupo, com atividades como jogar futmesa e organizar “peladas” com a comissão técnica, mostrando um lado menos pragmático.

Sua influência se estende às decisões da diretoria, com pedidos como a contratação de Juninho e ajustes na equipe de análise de desempenho. Filipe Luís tem sido ativo nas janelas de transferências, sugerindo, aprovando e vetando nomes, além de ter decidido pelo afastamento de alguns atletas. Um dos pedidos não atendidos foi a contratação de um centroavante para disputar posição com Pedro.

Um Novo “Profe” em Campo

Quem conheceu Filipe Luís como jogador se impressiona com a transformação para o modo treinador. O “Profe”, como é chamado, era mais reservado, mas já demonstrava preocupação com os detalhes e análises de partidas. Agora, tornou-se um comunicador mais ativo, sem medo de cobrar e dar broncas, controlando desde a roupa até a logística e alimentação dos jogadores.

O Flamengo de Filipe Luís chega à final da Libertadores com uma campanha sólida, acumulando 44 vitórias, 16 empates e nove derrotas em 69 partidas em 2025. O time já conquistou o Campeonato Carioca e a Supercopa do Brasil, além de liderar o Brasileirão. A vitória contra o Palmeiras neste sábado, às 18h (de Brasília), no Estádio Monumental de Lima, pode ser o divisor de águas na carreira do técnico, que já negocia um novo contrato com o clube para 2026.