Luiz Eduardo Baptista encaminha desligamento de José Boto e negocia chegada de Edu Gaspar para reformular departamento de futebol rubro-negro
A reestruturação no comando do Flamengo avançou nesta sexta-feira com a definição sobre o futuro de José Boto. Luiz Eduardo Baptista, o Bap, esteve no Ninho do Urubu pelo terceiro dia consecutivo e alinhou o desligamento do dirigente português. A mudança ocorre simultaneamente à chegada de Leonardo Jardim, escolhido para substituir Filipe Luís no comando técnico.
O processo de transição deve ocorrer de maneira pacífica. O atual diretor de futebol compreendeu a decisão pela troca e permanecerá no cargo brevemente para auxiliar os primeiros dias de trabalho da nova comissão técnica. A diretoria busca agora um sucessor, com o nome de Edu Gaspar aparecendo como o favorito para assumir a pasta.
A movimentação nos bastidores, detalhada pela ESPN, visa estancar a crise interna e restaurar a comunicação entre a cúpula e o vestiário, considerada inexistente no momento. O mandatário rubro-negro avalia dois perfis de gestão: um executivo com maior trânsito entre os jogadores, estilo "boleiro", ou um profissional técnico que atue em conjunto com um supervisor próximo ao elenco.
Bastidores de tensão e polêmicas no Ninho
A passagem de José Boto pelo clube carioca ficou marcada por desgastes com funcionários e atletas. Relatos indicam que o dirigente exigia que colaboradores do clube fossem à sua residência na Barra da Tijuca, a cada duas semanas, para realizar serviços particulares de limpeza e organização. A postura foi classificada como inflexível e grosseira no cotidiano.
O relacionamento com o grupo de jogadores também deteriorou, agravado por episódios de vaidade e distanciamento. Após a derrota para o Corinthians na Supercopa do Brasil, em Brasília, o executivo não desceu imediatamente ao gramado, permanecendo no túnel fumando. A atitude gerou desconforto imediato entre as lideranças do time.
"Ué, cadê o chefe? Agora não aparece?"
Outro ponto de atrito ocorreu na reunião realizada após a demissão de Filipe Luís, onde Boto atribuiu aos atletas a responsabilidade pela queda do treinador. O elenco recebeu a declaração em silêncio. Além disso, a busca constante do dirigente por aparecer em imagens oficiais do clube e cumprimentar o time apenas nas vitórias reforçou a percepção negativa interna.