Clima de velório marca encontro entre dirigente e jogadores que reprovaram condução da demissão do antigo treinador enquanto novo técnico chega
O ambiente no departamento de futebol do Flamengo atingiu níveis críticos de tensão após a saída do técnico Filipe Luís. Uma reunião realizada entre José Boto, figura central do futebol rubro-negro, e o plantel de jogadores expôs a insatisfação geral, resultando em um encontro dominado pelo silêncio dos atletas e desconforto visível. As informações sobre os bastidores foram divulgadas pela ESPN.
O dirigente português conduziu a palavra durante a maior parte do tempo, enquanto o grupo de jogadores manteve-se calado. A atmosfera foi descrita internamente como semelhante a um “velório”, evidenciando o incômodo do elenco não apenas com a saída do ex-comandante, mas especificamente com a forma como a diretoria conduziu o processo de desligamento.
Vazamento de áudio agrava turbulência
A situação interna deteriorou-se ainda mais com a repercussão de um áudio vazado do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap. Na gravação, o mandatário teria afirmado que o “trem está no caminho errado”. A declaração caiu mal entre os profissionais e aumentou a temperatura nos bastidores do Ninho do Urubu, somando-se às negociações para a contratação de Leonardo Jardim.
Lideranças do time se mobilizaram para demonstrar apoio público a Filipe Luís através das redes sociais. O movimento serviu como um recado direto à alta cúpula do clube sobre a discordância em relação ao tratamento dado ao treinador, responsável por conquistar quase todos os títulos disputados na temporada de 2025.
Isolamento político e escudo para novo técnico
A demissão abrupta também impactou a posição de José Boto dentro da hierarquia rubro-negra. A relação entre o português e o presidente Bap sofreu desgaste, uma vez que o mandatário avalia que a responsabilidade pública pela demissão recaiu excessivamente sobre seus ombros.
Boto encontra-se politicamente isolado, mantendo-se no cargo principalmente devido à chegada de Leonardo Jardim. A permanência do dirigente é vista como necessária para servir de “escudo” ao novo treinador, que assume o time em meio ao turbilhão político.
O português não deve pedir demissão neste momento. Enquanto a crise administrativa se desenrola, o foco em campo volta-se para a final do Campeonato Carioca. Leonardo Jardim comanda as atividades visando o confronto decisivo contra o Fluminense, marcado para o próximo domingo no Maracanã.