A derrota do Flamengo no Carioca para o Fluminense revelou um time taticamente pesado e fisicamente aquém, acendendo sérios alertas para o restante da temporada.
O clássico entre Flamengo e Fluminense, que terminou em derrota rubro-negra por 2 a 1, foi mais do que um simples revés. A partida expôs um Flamengo irreconhecível, com problemas que transcendem as falhas individuais e apontam para questões mais profundas no planejamento e execução tática.
O desempenho em campo, marcado por um meio de campo sem criatividade e um ataque inoperante, gerou preocupações significativas. A equipe, que havia demonstrado um futebol mais consistente contra o Vasco dias antes, pareceu voltar à estaca zero, levantando dúvidas sobre sua preparação e capacidade de reação.
Essa análise aprofundada da partida revela os múltiplos fatores que contribuíram para o resultado adverso, mostrando que o clube da Gávea respira por aparelhos no Carioca. As informações foram divulgadas pelo ge.
Condição Física e o Gramado Pesado
Um dos fatores cruciais para o baixo desempenho do Flamengo irreconhecível foi a condição física dos atletas, agravada pelo gramado pesado devido à chuva. Conforme apontado pelo ge, um campo nessas condições é prejudicial para ambos os lados, mas atinge mais quem tem jogadores longe do ideal.
O Flamengo, sendo o último clube a se reapresentar em 2026, pareceu sentir a falta de um frescor físico que demonstrou em jogos anteriores. Jogadores como Alex Sandro, Ortiz e Allan, por exemplo, demonstravam ter as pernas pesadas naquele gramado encharcado, impactando diretamente na performance.
O Meio de Campo “Pesado” e a Falta de Criação
A escalação de Filipe Luís para o clássico também levantou questionamentos. O técnico optou por um meio de campo muito pesado e com pouca criatividade, utilizando dois volantes de marcação, Allan e Evertton Araújo. Essa escolha tática limitou a capacidade de construção de jogadas do time.
Apesar de Filipe Luís ter justificado a ausência de opções ao mencionar que Pulgar só poderia jogar 45 minutos, a reflexão sobre a improvisação de Varela em outras ocasiões permanece. O Fluminense, por sua vez, com Bernal, Nonato e Lima, controlou o meio de campo, tirando a bola dos rubro-negros e ditando o ritmo do jogo.
Mesmo com 59% de posse de bola, o Flamengo não conseguiu controlar a região central do campo, conforme dados do ge. O Fluminense foi superior na maior parte do tempo, criando quatro chances de gol contra apenas três do time rubro-negro, mostrando a ineficiência flamenguista na criação.
Ataque sem Poder de Fogo e o Brilho de Cebolinha
A falta de controle no meio de campo resultou em um ataque inoperante. Pedro e Luiz Araújo foram obrigados a recuar para buscar jogo, distantes da área adversária. A única chance de gol rubro-negra no primeiro tempo foi em uma bola parada, um escanteio que Samuel Lino, sozinho, errou o alvo aos 34 minutos.
As substituições também tiveram impacto misto. A entrada de Pulgar no intervalo melhorou o passe, mas a saída de Pedro para Bruno Henrique, já programada, piorou a equipe ofensivamente. O Flamengo registrou apenas sete finalizações, o menor número desde o empate em 0 a 0 com o Racing, quando jogou com um homem a menos.
A melhora do time só veio com a entrada de Cebolinha. Ele marcou um gol de oportunismo aos 27 minutos e quase empatou o jogo em uma linda jogada individual, defendida por Fábio. Sua produtividade neste início de temporada, superior à de Samuel Lino, sugere que o atacante merece mais oportunidades.
Cenário no Carioca e o Foco nas Próximas Decisões
A derrota no Carioca deixa o Flamengo em uma situação delicada, “respirando por aparelhos” no Campeonato Carioca e com sério risco de disputar o quadrangular do rebaixamento. Essa possibilidade, embora vergonhosa para a instituição, não configura uma crise generalizada, dado o foco do clube em competições maiores.
A equipe se reapresenta para iniciar a preparação para a estreia no Campeonato Brasileiro, na quarta-feira, contra o São Paulo no Morumbis. Antes de retornar ao Estadual, o Flamengo também disputará o primeiro título da temporada, a Supercopa do Brasil, diante do Corinthians no domingo, no Mané Garrincha.