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Belmonte quebra o silêncio após deixar o São Paulo: “futuro a Deus pertence”, abre as portas para eleição presidencial

Belmonte se pronuncia após deixar o São Paulo e sinaliza possível candidatura à presidência do clube

Carlos Belmonte, ex-diretor de futebol do São Paulo, finalmente quebrou o silêncio após entregar seu cargo na última sexta-feira (29). A decisão veio horas após a contundente goleada sofrida pelo time contra o Fluminense, por 6 a 0, no Campeonato Brasileiro. Belmonte, que passou cinco anos no clube, expressou gratidão e deixou um véu de mistério sobre seus próximos passos, incluindo a possibilidade de concorrer à presidência do São Paulo.

Em uma publicação em suas redes sociais, Belmonte comunicou o fim de um ciclo de cinco anos, marcado por três títulos e cinco finais à frente do futebol tricolor. Ele fez questão de agradecer a todos os colaboradores do Centro de Treinamento e aos atletas, que, segundo ele, o emocionaram em sua despedida. “Volto para a minha família que sempre esteve comigo mais do que consegui estar com ela. O futuro a Deus pertence”, declarou o ex-diretor.

Segundo apurou a ESPN, Belmonte esteve no CT na manhã de sexta-feira para se despedir dos jogadores. A saída de Belmonte, juntamente com a de Chapecó e Nelsinho, indica uma reestruturação no departamento de futebol do São Paulo. No entanto, o clube confirmou que Rui Costa e Muricy Ramalho permanecem em seus cargos, sinalizando que a mudança não é total.

Desavenças internas e a ascensão de Márcio Carlomagno

A relação de Belmonte com a diretoria do São Paulo, especialmente com o presidente Julio Casares, já vinha se deteriorando há algum tempo. Um dos principais pontos de atrito foi a eleição presidencial do clube no final do ano passado. Essa tensão se refletiu na ausência de Belmonte em diversos jogos recentes, tendo comparecido apenas ao clássico contra o Corinthians.

A chegada de Márcio Carlomagno, nomeado superintendente de futebol com “portas abertas” no CT, também contribuiu para o clima de instabilidade. Belmonte possuía uma boa relação com os atletas, e a ascensão de Carlomagno, visto como um provável candidato da situação para a próxima eleição, não foi bem recebida por ele. Outro ponto de divergência foi a negociação de uma parceria para as categorias de base, que parecia ter esfriado.

Presidente Casares explica mudanças e defende profissionalização

Em coletiva de imprensa, o presidente Julio Casares comentou as mudanças, classificando o momento como “desastroso” após a goleada sofrida. Ele afirmou que as mudanças eram previstas para depois do Brasileirão, mas precisaram ser antecipadas. Casares explicou que a vinda de Carlomagno visa apoiar o processo de profissionalização, com o objetivo de acelerar o planejamento para 2026, contando com o apoio de Rui Costa e Muricy Ramalho.

Casares assumiu a responsabilidade coletiva pelos erros, incluindo seu próprio planejamento. Ele negou que a vinda do CEO tivesse como objetivo isolar pessoas e classificou a ausência de Belmonte em jogos como uma “decisão pessoal”. O presidente ressaltou que, apesar de eliminações dolorosas como a para o Água Santa e o Novorizontino, o trabalho de Belmonte nunca foi questionado até o momento, mas que a readequação se tornou necessária.

Futuro incerto e expectativas para o restante da temporada

Belmonte é apontado como um possível candidato de um grupo de oposição à presidência do São Paulo, mas ele mesmo não confirma essa intenção. Com duas rodadas restantes no Campeonato Brasileiro e uma lista extensa de desfalques por lesão, as expectativas para o desempenho do time de Hernán Crespo são baixas. A equipe ocupa a oitava colocação, fora da zona de classificação para a Libertadores.

Julio Casares reafirmou sua intenção de cumprir o mandato até o final e prometeu reformulações em diversos âmbitos do clube. Ele mencionou o investimento em infraestrutura do CT e a necessidade de investir em profissionais, destacando o papel do CEO nesse processo. Casares também demonstrou otimismo em relação ao balanço financeiro, que, segundo ele, trará “envergadura para fazer um 2026 com competitividade”.