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Dívida de estádio milionária do Universitario explica crise no futebol peruano e a presença do Palmeiras na final da Libertadores

O palco da final da Libertadores esconde uma dívida de US$ 60 milhões e a intervenção estatal que marca o futebol peruano.

A final da CONMEBOL Libertadores, que colocará frente a frente Palmeiras e Flamengo neste sábado (29), terá como palco o Estádio Monumental, casa do Club Universitario de Deportes. O time peruano vive um momento de glória esportiva, tendo conquistado o tricampeonato nacional de forma consecutiva, mas sua realidade financeira é marcada por uma dívida colossal que se aproxima dos US$ 60 milhões (cerca de R$ 322,8 milhões) com a construtora GREMCO, responsável pela construção do próprio estádio.

Essa situação, conforme apurado, é um reflexo de um problema mais amplo no futebol peruano, onde a intervenção estatal em clubes com dívidas gigantescas se tornou uma prática comum. O Universitario, por exemplo, está sob intervenção desde 2012, uma medida para garantir a continuidade das atividades do clube enquanto a responsabilidade de quitar seus credores recai sobre um órgão governamental.

O caminho para o pagamento de dívidas, incluindo salários de antigos funcionários, tem sido árduo. Uma Junta de Credores se reúne periodicamente para aprovar o planejamento financeiro do clube, que já esteve à beira da liquidação. Apesar dos percalços financeiros, o desempenho esportivo do Universitario tem surpreendido, com o time voltando a disputar as oitavas de final da Libertadores após 15 anos.

A intervenção estatal como modelo de gestão

A gestão do Universitario é coordenada pela SUNAT, órgão que responde ao governo. Um administrador indicado por este agente tem a responsabilidade de gerir as atividades econômicas e, ao mesmo tempo, é pressionado a manter o desempenho esportivo da equipe. Essa dualidade de responsabilidades, embora garanta a competição, expõe a fragilidade financeira dos clubes peruanos.

O arquirrival do Universitario, Alianza Lima, embora com um desempenho local inferior, também navega em águas turbulentas financeiras. O clube é dirigido por um administrador indicado pela Junta de Credores, evidenciando a extensão do problema para além de um único clube. O Cienciano, outro time peruano, também opera sob um modelo onde os sócios não elegem o presidente há anos, indicando uma tendência de centralização da gestão.

Renovação de talentos e dificuldades da seleção peruana

Enquanto os clubes lutam para se manterem à tona, a seleção peruana enfrenta dificuldades para repetir o sucesso da Copa do Mundo de 2018. A geração de jogadores como Guerrero, Farfán e Cueva envelheceu, e a renovação de talentos em nível semelhante não aconteceu. A convocação de atletas que atuam em ligas europeias diminuiu drasticamente, com a maioria dos jogadores atuando nos clubes locais.

A tentativa de buscar reforços como o ítalo-peruano Gianluca Lapadula não foi suficiente para reverter o quadro. O Peru falhou na repescagem para a Copa de 2022 e terminou em nono lugar nas eliminatórias para o próximo mundial, sem chances de repescagem. O cenário é de um futebol que se sustenta mais pela paixão de seus torcedores do que por uma estrutura sólida de formação de atletas.

O caso do Universitario e a paixão pelo futebol

O treinador Jorge Fossati, que levou o Universitario ao tricampeonato em 2023, deixou o clube para comandar a seleção, mas acabou retornando ao time peruano, com o objetivo de conquistar o tetracampeonato em 2025. Essa dinâmica de idas e vindas de treinadores, somada à gestão intervencionista e aos problemas na formação de jogadores, compõem o complexo cenário do futebol peruano.

Apesar das adversidades, a paixão dos torcedores peruanos pelo futebol é um dos pilares que mantêm a modalidade viva no país. A presença do Universitario em uma final de Libertadores, mesmo com sua dívida milionária, é um testemunho da resiliência e do amor pelo esporte que movem o país andino.